Sou de uma época em que demorávamos “uma eternidade” para se comprar um telefone (era linha fixa), adquirir um carro (era para poucos) ou uma casa própria (sonho próximo do impossível). As coisas aconteciam de forma extremamente lenta, mas isso era o normal. Sabíamos que a construção da vida que desejávamos levaria uma vida inteira para ser alcançada, e isso se tudo desse certo.
Haviam sacrifícios necessários que eram compreendidos e aceitos como o “pedágio” a ser pago para uma jornada bem construída. Nossa visão era de longo prazo, para muito além das fronteiras de um materialismo desconcertante e de um imediatismo presente.
No entanto, a forma como as gerações mais jovens vivencia a realidade vêm se modificando. A tecnologia avançada de nossos tempos, as facilidades que foram surgindo, o comportamento dos pais, que ilusoriamente querem ver seus filhos “felizes o tempo todo”, tudo isso tem contribuído para uma espécie de distorção do entendimento de que podemos avançar o que for em termos tecno-cientificos, mas a Vida continua a ter seu ritmo e suas leis muito próprias.
Saber esperar e lutar pelas coisas se tornou “artigo de luxo”. Preocupante.
E como profissional da área de saúde mental, venho aqui mais uma vez, fazer o que tanto gosto: escrever sobre uma espécie de alerta fundamental, relevante para todos nós. Vamos conversar sobre tudo isso e muito mais? Um ótimo dia para todos.
Monica Cristina Guberman
Psicóloga Clínica
NeuroCiência
Saúde Mental e Psicoterapia
Orientação de Pais
CRP 06-84011
